24 Horas de Le Mans 2015: rescaldo relojoeiro

18/06/2015 Comentar
Le mans

Não foram apenas as atenções dos amantes do automobilismo que estiveram centradas numa pequena localidade francesa ao longo do passado fim de semana: muitos aficionados da relojoaria também acompanharam com curiosidade a mais antiga e famosa corrida de resistência do mundo, cuja 83ª edição representou igualmente uma corrida entre diversas companhias relojoeiras. E entre vários pilotos portugueses, também eles associados a relógios de prestígio. E os vencedores foram…

… a Chopard e a Porsche, que fechou a prova com uma dobradinha e colocou três bólides Porsche 919 Hybrid nas primeiras cinco posições – vencendo a batalha germano-nipónica que envolvia também a Audi a Nissan e a Toyota na categoria principal LMP1. O triunfo pertenceu ao carro número 19, conduzido pelo trio Nico Hülkenberg/Mark Webber/Romain Dumas, que deu à Porsche um 17º troféu principal em Le Mans e o primeiro desde finais da década de 90. E a Chopard, parceira da Porsche Motorsport, aproveitou para complementar o cronógrafo Superfast em edição limitada dedicado à associação com a escuderia alemã (com o mostrador evocativo da pintura dos Porsche 919 e uma reinterpretação moderna das Racing Stripes da década de 70) com um outro cronógrafo de tiragem exclusiva.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA© Chopard

O Superfast Chrono Porsche 919 Edition Jacky Ickx é dedicado ao lendário piloto belga que venceu por seis vezes consecutivas em Le Mans e que é amigo pessoal de Karl-Friedrich Scheufele, o patrão da Chopard. Também conhecido por ‘Mr Le Mans’, Jacky Ickx é desde há muito embaixador da Chopard e da Porsche, personificando de maneira ideal a parceria – e é presença assídua nos principais eventos da Chopard, em Baselworld ou qualquer acontecimento associado ao automobilismo, como a Mille Miglia.

Porsche Team, Le Mans 2015© Sports Car Digest

Rolex está intimamente ligada a Le Mans, assumindo o papel de cronometrista oficial e surgindo omnipresente tanto ao longo do circuito como nas transmissões televisivas através do fornecimento de dados e classificações. A marca da coroa tem uma longa associação aos desportos motorizados e um cronógrafo batizado em honra de outro circuito mítico – Daytona. Organizada desde 1923 em Le Mans e aproveitando estradas públicas nas redondezas da cidade do noroeste de França, a lendária corrida premeia desde sempre a resistência de máquinas e condutores – por oposição a outro tipo de competições automobilísticas mais curtas que privilegiavam a velocidade. E a essência da corrida permanece maratonesca: são mais de 5000 km, dia fora e noite dentro, sempre entre um sábado e um domingo de junho.

FOTO 3 FM 24 4© Franck Muller

Para além da Rolex enquanto official timekeeper, várias outras marcas relojoeiras estiveram em evidência no pulso de embaixadores, nas boxes de escuderias ou em dísticos – e até decoração nos bólides, com menção especial para o Morgan Evo Sard da escuderia Sard Morand: é facilmente identificável devido aos algarismos gigantes típicos dos relógios Franck Muller, evocando os modelos Crazy Hours e Color Dreams. A Franck Muller esteve muito associada a Le Mans na década de 90 e editou mesmo cronógrafos com mostrador de 24 horas (em vez das tradicionais 12); regressou ao cenário da mítica corrida pela mão do responsável do seu departamento de pesquisa e desenvolvimento, Jean François Ruchonnet, um apaixonado pelo desporto automóvel que já tinha estado por trás dos modelos Monaco V4 e Mercedes SLR da TAG Heuer. Claro que os pilotos usaram relógios Franck Muller – os Conquistador Grand Prix.

"Le Mans" Steve McQueen 1971 Solar Productions

TAG Heuer também está intimamente ligada às 24 Horas de Le Mans graças a Steve McQueen e ao seu emblemático cronógrafo quadrilátero Monaco – que ganhou estatuto de culto por surgir precisamente no pulso do carismático ator norte-americano no filme Le Mans de 1972. O Monaco foi reeditado em 1988 e tem conhecido múltiplas variantes, algumas delas dotadas das Racing Stripes evocativas das listas dos carros clássicos e dos fatos de piloto dos anos 70, outras com versões modernas através do Monaco 24. Este ano, a TAG Heuer apoiou o regresso da Nissan a Le Mans e lançou um cronógrafo comemorativo da associação: o Carrera NISMO Calibre 16.

TAG_Heuer_Carrera_Nismo 2

© TAG Heuer

Para além disso, a TAG Heuer também esteve presente no pulso de Patrick Dempsey e em logótipos no seu carro; o ator americano tem uma escuderia própria e foi um dos pilotos do Porsche 911 RSR da Dempsey-Proton Racin – conseguindo mesmo acabar a corrida em segundo lugar na categoria GT Am.

Patrick_Dempsey_2© TAG Heuer

Amigo da TAG Heuer Portugal, Pedro Lamy representou uma escuderia que costumava estar associada à Jager-LeCoultre, a Aston Martin, e esteve com o triunfo à vista na categoria GT Am… mas viu o ‘seu’ Aston Martin V8 ir em frente numa curva quando faltavam apenas duas voltas para o fim, numa altura em que o carro era conduzido pelo patrão da equipa. Foi um esforço heróico em vão do experiente piloto luso, que padeceu de varicela ao longo da semana.

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© Oris

Houve mais representação nacional… e de destaque: Filipe Albuquerque andou mesmo a lutar pelo troféu principal ao volante de um Audi Sport R18 e-tron Quattro LMP1, mas problemas mecânicos impediram-no de obter melhor do que um sétimo lugar. Mesmo assim, tece durante muito tempo a volta mais rápida da prova e acabou com a segunda mais rápida.. Tanto a escuderia alemã como o piloto conimbricense estão vinculados à Oris, a marca que na Formula 1 é parceira de longa data da Williams e que tem modelos especificamente dedicados à Audi Sports. O último dos quais, também em edição limitada, apresenta uma caixa preta com um totalizador de 10 minutos em countdown e pequenos segundos contínuos em disposição linear.

FOTO 7 PR_01

© Oris

Houve mais pilotos nacionais em prova: Tiago Monteiro (na equipa responsável por um CLM P1/01-AER em LMP1, com as insignias da Jacques Lemans), João Barbosa (integra o trio de pilotos de um Ligier JS P2-Judd LMP2) e Rui Águas, num Ferrari 458 Italia GTE Am que ostentou o logotipo da Richard Mille. A Richard Mille também teve distintivos em mais carros, a Hublot esteve igualmente presente em vários Ferrari da escuderia AF Corse e a Rebellion tem a sua própria marca de relógios. O imaginário das 24 Horas de Le Mans inspirou muitas marcas relojoeiras e a Maurice de Mauriac, marca de nicho sediada em Zurique, apresenta mesmo uma variante Le Mans na sua linha Modern Chronograph – que inclui as famosas listas racing, vermelhas e azuis ou azul claro e laranja, em ambos os casos inspiradas nas lendárias edições que catapultaram a corrida para a condição de mito na década de 70, nos fatos de corrida da altura e nas cores do famoso Porsche 917 Gulf que dominou a época. Daniel Dreifuss, fundador da marca, é um fanático desses tempos áureos da história do automobilismo e também um grande fã de Steve McQueen.

Maurice_1© Miguel Seabra

Le Mans inspirou o mesmo tipo de corrida de endurance noutros locais que se transformaram em santuários para os aficionados do desporto motorizado, como as 24 Horas de Daytona ou as 24 Horas de Nurburgring, para além do circuito de provas denominado Le Mans Series. A Rolex também é cronometrista oficial das 24 Horas de Daytona. Os vencedores de ambas as corridas recebem exemplares do Oyster Perpetual Cosmograph Daytona, o mítico cronógrafo de pulso da Rolex que tantos pilotos famosos envergaram. E Filipe Albuquerque já foi recompensado com um em Daytona – se vencesse outro agora em Le Mans não o poderia usar, tal como não pôde usar o que ganhou em Daytona: na altura era piloto da TAG Heuer, agora está com a Oris!

Filipe

© Espiral do Tempo Studio