Chronoswiss – Uma herança neo-clássica

19/06/2015 Comentar
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Fundada em contra-corrente numa altura em que a supremacia do quartzo era evidente e se pensava que a relojoaria mecânica estava destinada à extinção, a Chronoswiss esteve na linha da frente durante o processo de reabilitação da arte relojoeira tradicional – tendo sido a primeira marca a dotar o fundo dos seus relógios de um vidro transparente para apreciação dos aficionados. Fomos conhecer a sede da marca em Lucerna e acompanhámos Oliver Ebstein, o seu CEO, em Lisboa para o lançamento de um modelo especialmente dedicado a Portugal.

Fundada em 1983, a Chronoswiss começou por ser uma marca de nicho para colecionadores de gosto apurado que se recusavam a colocar no pulso um relógio de quartzo. A sua expansão para além dos mercados suíço e germânico processou-se sobretudo na década seguinte, com o alargamento das coleções e o lançamento de modelos emblemáticos que muito contribuíram para o renascimento da relojoaria mecânica. Entretanto, um jovem empresário portuense fundava a Importempo em 1995 – dando sequência a negócios de família no setor relojoeiro – e cedo se apercebeu do perfume especial emanado pela marca germano-suíça.

ETO_Chronoswiss_02Timemaster Chronograph 20 Skeleton Gold da Chronoswiss. © Espiral do Tempo Studio

João Saraiva tornou-se no representante da Chronoswiss em Portugal e a sua Importempo comemora o 20º aniversário em 2015. Pela celebração dos seus 20 anos de atividade e histórica associação à Chronoswiss, a Importempo acabou de apresentar um relógio em edição limitada reservado ao nosso país. A revelação foi feita na Pousada de Lisboa – o novo estabelecimento das Pousadas de Portugal localizado na Praça do Comércio – e contou com a presença de Oliver Ebstein, CEO e proprietário da Chronoswiss.

ETO_Chronoswiss_01Timemaster Chronograph 20 Skeleton Gold da Chronoswiss. © Espiral do Tempo Studio

O Timemaster Chronograph 20 Skeleton Gold associa o aço escurecido com tratamento DLC (Diamond-Like Carbon) ao ouro rosa e cada exemplar da tiragem limitada tem a numeração de 01/20 gravada no fundo. Para além de representar uma fusão entre um emblemático modelo clássico (o cronógrafo esqueletizado Opus) e a linha mais desportiva da marca (a linha Timemaster), o Timemaster Chronograph 20 Skeleton Gold afirma-se como um relógio casual-elegante de grande prestígio, destacando-se o mostrador esqueletizado que deixa ver um movimento cronográfico automático que é igualmente esqueletizado; a poderosa caixa escura de 44 mm é estanque a 100 metros e complementada com ouro rosa de 18 quilates na luneta, na coroa e nos botões do cronógrafo – para proporcionar o melhor contraste quente com o tom preto também presente na bracelete em cauchu ultra-resistente e anti-alérgico.

Um nascimento anacrónico

Oliver Ebstein preside aos destinos da Chronoswiss e tem centralizado mais as operações em Lucerna, onde inaugurou há dois anos a chamada ‘House of Chronoswiss’. A marca ainda mantém um escritório em Munique, onde estava sedeado o anterior responsável e fundador, Gerd-Rüdiger Lang, o homem que gostava de repetir que tinha lançado a Chonoswiss na hora certa – apostando de modo anacrónico na relojoaria tradicional numa altura em que o domínio do quartzo parecia inexorável. O tempo deu-lhe razão.

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A história da contra-revolução da Chronoswiss remonta a 1981, quando Gerd-Rüdiger Lang optou pela sua independência profissional. Depois de 15 anos como responsável máximo da Heuer na Alemanha, decidiu materializar o seu fascínio pela mecânica. Achava que tinha tudo para tornar realidade o seu sonho: uma boa ideia, determinação, know-how e um enorme espólio de mecanismos tradicionais comprados a manufaturas que iam caindo na falência. Porque, apesar de os relógios de quartzo estarem então a inundar o mercado, havia uma clientela de prestígio que se mantinha fiel aos guardiões do tempo mecânicos e que tinha especial predileção por modelos exclusivos de estilo vintage – ou seja, relógios com um desenho inspirado nas linhas das décadas anteriores.

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Não admira que os automóveis antigos fossem outra das grandes paixões do patrão da Chronoswiss, que chegou mesmo a participar no mítico filme Le Mans, protagonizado por Steve McQueen. Tal como as viaturas clássicas terão sempre os seus adeptos indefectíveis, Lang estava igualmente convicto de que existia um mercado para edições limitadas de relógios mecânicos de qualidade superlativa, concebidos a partir dos mais fiáveis mecanismos suíços. O design das caixas e dos mostradores assentaria em elementos de estilo de outrora, embora sem descurar o recurso à melhor tecnologia moderna para que os mais altos padrões qualitativos fossem assegurados.

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Em 1982, Lang concebeu o seu primeiro relógio: um cronógrafo com calendário e fases da lua. Os pedidos especiais começaram a suceder-se e o apetite dos clientes tornou-se cada vez mais voraz. A produção estava confinada ao número limitado de mecanismos que Lang ia conseguindo adquirir, até que em 1983 deu um novo alento à sua empresa ao dar à luz a Chronoswiss – uma marca de inspiração suíça assente exclusivamente em componentes suíços e supervisionada por mestres relojoeiros formados na Suíça, mas com sede em Munique. O tempo deu mesmo razão ao perfeccionista Lang e à sua missão. O quartzo banalizou-se e o mundo (re)aprendeu a valorizar relógios autênticos: relógios com alma, e não relógios com pilha; relógios que medem o tempo, e não relógios que simplesmente dão as horas; relógios que podem passar de geração em geração, e não relógios de vida limitada.

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As primeiras coleções assentavam em modelos cronográficos e com fases da lua, mas em 1988 a Chronoswiss investiu numa peça que se tornaria no seu ex-libris e que lhe deu fama: o primeiro relógio de pulso com mostrador Régulateur. Nos anos seguintes, a marca germano-suíça não mais parou de apresentar inovadores reinterpretações clássicas que colecionaram prémios um pouco por todo o lado – como o Cronograph Rattrapante descentrado de 1992, o Grand Régulateur de 1993, o cronógrafo esqueleto Opus de 1995, o Delphis com tripla disposição do tempo de 1996, o cronógrafo rattrapante esqueleto Pathos de 1998, o Chronoscope monopulsante de 2001 ou o Régulateur à Tourbillon de 2002. Com o virar do milénio surgiu também a linha mais desportiva Timemaster, inspirada nos relógios de aviador da Segunda Guerra Mundial e com estilo rétro adaptados às exigências do homem moderno.

A nova sede em Lucerna

Após três décadas a promover o fascínio pelos relógios mecânicos de qualidade, pode dizer-se que a Chronoswiss influenciou a renascença da relojoaria tradicional tanto ou mais do que qualquer outra marca – começando pelo papel ativo do fundador Gerd-Rüdiger Lang nos anos 80 e a opção por fundos em vidro de safira que desvelavam os mecanismos e foram imediatamente imitados pela concorrência. De repente, uma geração afetada pelo surgimento de relógios de quartzo era transformada em entusiastas de modelos mecânicos.

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O nome da marca vem de ‘Chronos’, o deus grego do tempo, e ‘Swiss’, em honra da cultura relojoeira helvética e da origem dos componentes dos relógios Chronoswiss. Atualmente, a marca pertence mesmo a suíços, após Gerd-Rüdiger Lang ter transferido a companhia para a família Ebstein, de Lucerna. A presença germânica mantém-se com Karlo Burgmayer, o COO; o novo dono e CEO, Oliver Bernstein, é um fervoroso aficionado e mantém os traços gizados pelo fundador: reforçar uma marca que exalta apaixonadamente a tradição relojoeira dando sempre grande atenção ao pormenor. Uma das principais medidas que tomou foi o estabelecimento de uma nova sede que pudesse transmitir para o exterior toda a cultura relojoeira inerente à história da marca.

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A House of Chronoswiss ocupa um edifício histórico com grandes montras para a rua e os transeuntes podem mesmo ver o que se passa no interior; lá dentro não só é possível acompanhar de modo interativo a história da marca como também ver os relojoeiros em plena atividade.

A coleção

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Hoje em dia, Oliver Ebstein reagrupou estrategicamente a coleção de modo a assentá-la em dois pilares: a linha elegante Sirius e a linha desportiva Timemaster. A linha Sirius engloba reedições de modelos históricos e perpétua o neo-classicismo de modelos que contribuíram para a fama da marca, mas acrescida de um novo interesse nos chamados Métiers d’Art com o lançamento de versões em edição limitada com esmaltagem (a Artist’s Collection). E a linha Timemaster inclui modelos mais desportivos, assente especialmente em cronógrafos mas também com versões dotadas de ponteiros retrógrados, data grande ou segundo fuso horário.

O Timemaster Chronograph Skeleton – e mais especificamente o Timemaster Chronograph Skeleton Gold dedicado a Portugal – representa a simbiose entre esses dois mundos, o clássico e o desportivo, o casual e o sofisticado.

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