Viajantes do tempo

04/09/2015 Comentar

A relojoaria sempre esteve na vanguarda da exploração — tanto no acompanhamento de expedições que desbravaram novas fronteiras como no desbravamento de novas soluções técnicas na arte de medir o tempo. Mas houve muitos protagonistas históricos e fundadores de marcas relojoeiras que foram ainda mais além, assumindo eles próprios o papel de pioneiros, colonos e povoadores.

A revolução dos transportes e da comunicação transformou o mercado de luxo num conceito global ao mesmo tempo que promoveu marcas exclusivas ao estatuto de ícones populares: hoje em dia, há logótipos que são imediatamente reconhecíveis em qualquer parte do mundo — mesmo que representem produtos aspiracionais ao alcance de uma escassa minoria.

No caso da alta-relojoaria, a Internet tem disseminado a sua fama e prestígio a uma velocidade vertiginosa — ajudando novas marcas e empresas a estabelecer rapidamente uma reputação quase lendária, enquanto os conglomerados do luxo são autênticos grupos tentaculares de vocação multinacional com departamentos em todos os continentes e praticamente todos os países. Como se pode depreender, nem sempre foi assim e nos primórdios da relojoaria foi necessário conquistar novos públicos e mercados praticamente a pulso; muitos dos fundadores das grandes marcas que se tornaram pilares da indústria relojoeira tiveram de ser autênticos pioneiros na mais lata aceção da palavra: desenvolveram produtos, inovaram tecnicamente, criaram empresas e depois lançaram-se à estrada para apresentar as suas invenções, participar em exibições universais, convencer representantes e formar sucursais.

Isso também acontece no presente, sobretudo com os relojoeiros independentes que utilizam argumentos pessoais para fazer frente à voraz máquina comercial e publicitária dos colossos da relojoaria. Max Büsser, Vianney Halter, Kari Voutilainen, Tim e Bart Grönefeld, Morten Linde e Jorn Werdelin, Stepan Sarpaneva, Svend Andersen e tantos outros elementos da Academia Relojoeira de Criadores Independentes (AHCI) precisam mesmo de fazer pela vida e pelas marcas que quase invariavelmente ostentam o seu próprio nome, transformando-se em nómadas com viagens constantes e jantares com colecionadores por esse mundo fora. Não é muito diferente do que fizeram os seus ancestrais nos séculos XVIII, XIX e XX — mas, nessa altura, as condições eram muito mais duras, o processo era muito mais lento, os resultados eram muito mais aleatórios. Era o tempo dos heróis, que tinham de lidar pessoalmente com os caprichos de reis ou ricos, com a precariedade dos meios de transportes, com costumes tão diferentes que originaram incidentes diplomáticos, com todos os perigos inerentes a outras eras e tão difíceis de compreender à luz da sociedade contemporânea. O maior ou menor espírito de aventura de cada um deles e a abrangência geográfica das suas expedições teve influência direta no sucesso comercial e hoje em dia ainda há resquícios dessa exploração relojoeira em séculos passados, com algumas marcas a manterem um peso histórico em determinados países que é muito superior comparativamente com outros mercados.

Patek Philippe (Antoni Norbert Patek e Adrien Philippe), Jaeger-LeCoultre (Edmond Jaeger e Antoine LeCoultre), Vacheron Constantin (Jean-Marc Vacheron e François Constantin), Audemars Piguet (Jules Louis Audemars e Edward Auguste Piguet) ou Girard-Perregaux (Constant Girard e Marie Perregaux) são marcas bem conhecidas cujo nome assenta maioritariamente na junção de apelidos de relojoeiros que, cada qual e como tantos outros, deram novos mundos ao mundo da relojoaria, muitos deles com histórias de vida que desafiam a imaginação.

Leia o texto completo no site da Espiral do Tempo, espaço dedicado ao mundo da alta-relojoaria