Belles Montres: dilema parisiense

08/01/2016 Comentar

A nona edição do Salon des Belles Montres não correu tão bem como se desejaria, nem mesmo num novo formato com suporte de moda masculina. De qualquer das formas, houve relógios muito interessantes para ver no Caroussel du Louvre. Aqui ficam alguns deles e a análise ao futuro incerto da mais conhecida exibição relojoeira realizada em solo francês.

‘Ou vai ou racha’ será uma boa tradução livre para a tirada ‘Rebondir ou Mourir’ que o meu colega François-Xavier Overstake usou para definir o futuro do Salon Belles Montres. Porque, de facto, as próximas edições apresentam-se algo incertas tendo em conta a insatisfação generalizada entre marcas expositoras, membros da imprensa e até mesmo visitantes da nona edição do mais relevante certame relojoeiro francês.

Porque é que o SalonQP que se realiza em Londres escassas semanas antes parece florescer de ano para ano e o Salon Belles Montres de Paris tem vindo a embrenhar-se num ciclo vicioso de inerente frustração? Afinal de contas, trata-se de uma grande e populosa metrópole que passa por ser também a capital mundial do luxo com sensibilidade e história mais do que suficientes para uma devida apreciação do fenómeno relojoeiro. O certo é que, apesar da adesão de várias manufaturas relevantes de alta-relojoaria e suficientes marcas independentes, o evento não logrou fomentar um entusiasmo suficiente que deixe bons augúrios para o futuro.

Claro que os atentados de duas semanas antes ensombraram a cidade e possivelmente travaram uma eventual maior adesão popular. Esse pormenor trágico poderia e deveria ter sido compensado pela circunstância de, neste ano, a feira de relojoaria se associar a uma exposição de moda masculina com várias marcas de vestuário, calçado e acessórios a ajudarem a completar o enorme espaço subterrâneo da Sala Gabriel Delorme no Caroussel du Louvre. Para além da proximidade com o Natal poder entusiasmar mais o negócio.

Entre sexta-feira e domingo não houve um fluxo de visitantes (aficionados ou profissionais) considerado minimamente satisfatório tendo em conta o investimento feito pelas pelas marcas expositoras e, em vez de um claro aproveitamento de sinergias entre a parte dos relógios e a parte fashionista, pareceu haver dois universos demasiado distintos entre eles – quando hoje em dia a mistura da relojoaria de prestígio com lifestyle e moda masculina tem sido uma receita de sucesso evidente em revistas da especialidade e sobretudo numa plataforma tão assente na imagem como o Instagram. Para mais, contrastando com a carregada agenda cultural diária do Salon QP, houve um único simpósio dedicado à relojoaria nos três dias e meio do evento parisiense. E uma única exposição complementar, dedicada à temática dos relógios eróticos.

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