SIHH 2016/ Saudoso Reverso, tempo perverso

20/01/2016 Comentar

O Reverso da Jaeger-LeCoultre celebra este ano o seu 85º aniversário e é naturalmente o foco das novidades da marca no Salão Internacional da Alta-Relojoaria. Para melhor condizer com a ocasião, Genebra tem apresentado uma meteorologia fria e nevada que faz recordar a Vallée de Joux nesta altura do ano… aqui ficam os nossos primeiros pareceres sobre os novos modelos reversíveis da manufatura de Le Sentier.

 

Nunca antes se viu tanta neve em Genebra durante o Salão Internacional da Alta-Relojoaria. E as temperaturas estão também muito baixas. Condições meteorológicas mais dignas das que se verificam ao longo do inverno na Vallée de Joux, o vale localizado a 1000 metros de altura onde está situada a localidade de Le Locle que acolhe a manufatura Jaeger-LeCoultre – para além de todas as outras manufaturas e marcas sedeadas noutras localidades do vale. Foi nos meses de inverno rigoroso por lá que os habitantes, obrigatoriamente fechados nas suas casas durante vários meses no inverno, aprimoraram a técnica relojoeira ao longo dos séculos…

A história da Jaeger-LeCoultre remonta a 1833 e ao fundador Antoine LeCoultre. Aquele que é porventura o seu mais emblemático relógio, o Reverso, cumpre o seu 85º aniversário em 2016. E era inevitável que o famoso modelo reversível fosse a grande vedeta da Jaeger-LeCoultre no SIHH, com a grande maioria das novidades da marca diretamente ligadas à linha Reverso e à sua restruturação.

Ao longo das últimas oito décadas e meia, e sobretudo nos últimos 25 anos, o Reverso foi rejuvenescendo o seu estatuto de ícone da relojoaria mecânica para se tornar no modelo de pulso mais declinado e multifacetado de sempre. A árvore genealógica do lendário modelo reversível não tem parado de apresentar novas ramificações e o seu 85º aniversário começou a ser comemorado com pompa e circunstância – com uma grande festa nesta segunda-feira que incluiu a presença de vários amigos famosos da Jaeger-LeCoultre, como Clive Owen, Fabio Capello e Charlotte Chaplin.

Como se percebe pela lenda construída à sua volta ao longo do tempo, a emblemática linha reversível da Jaeger-LeCoultre tem continuado a redefinir-se e reinventar-se face às crescentes exigências do mercado e a impor as suas linhas rectas face à tirania do formato redondo – embora o Reverso nem tenha propriamente concorrência: trata-se de um relógio que se mantém orgulhosamente só numa categoria à parte quase desde inícios do século passado, até porque a história do Reverso é também uma história de redenção. Se o termo Reverso significa, em latim, ‘dar a volta’, o modelo de caixa reversível teve mesmo de dar uma grande volta ao seu destino para recuperar das convulsões da Segunda Guerra Mundial na década de 1940 e da crise que quase vitimou a indústria relojoeira suíça nos anos 1970 – muito graças à sensibilidade artística do então distribuidor exclusivo da marca em Itália, que convenceu a Jaeger-LeCoultre a reatar a produção do relógio reversível para satisfazer os pedidos dos seus clientes mais sofisticados… numa altura em que as linhas Art Déco estavam fora de moda. O reatamento do fabrico não foi fácil.

O Reverso é um mito que não cessa de aumentar o seu fascínio e a passagem do novo milénio representou também o alargar de uma família cada vez maior e mais complexa. A principal medida de restruturação agora desvelada oficialmente na 26ª edição do SIHH incide precisamente sobre o catálogo e prende-se com a divisão da histórica linha em três ramificações.

Leia a reportagem completa e descubra mais imagens no site da Espiral do Tempo.