Raymond Weil: dinastia musical

10/02/2016 Comentar

A Raymond Weil é uma das poucas companhias relojoeiras de certa dimensão que permanece independente e na mão da família fundadora — e é sobretudo aquela que mais intrinsecamente surge ligada ao universo musical. Desde o próprio Raymond Weil ao neto Elie Bernheim, a música tem sido um fio condutor na estratégia da marca e essa associação melómana afigura-se atualmente mais forte do que nunca.

Quando se entra na casa da família Weil-Bernheim em Cologny, uma privilegiada e elegante zona residencial de Genebra, é impossível não deparar com os dois pianos da lendária Steinway & Sons no meio da sala. De certo modo, constituem um poderoso símbolo da estreita ligação da Raymond Weil à música e fazem a ponte entre as três gerações que têm conduzido a marca fundada por alguém que resolveu combater a crise que na altura vitimava dúzias de empresas relojoeiras suíças e atirava milhares para o desemprego. Os pianos pertencem a Diana, pianista profissional — filha de Raymond Weil, mulher de Olivier Bernheim e mãe de Elie, Pierre e Noemia Bernheim.
Raymond Weil, um gentleman muito respeitado e de quem era impossível não se gostar, morreu a 26 de janeiro de 2014, aos 87 anos. Quando decidiu criar a sua própria marca, em 1976, já trabalhava no ramo há 27 anos e ousou colocar o seu próprio nome no mostrador (uma prática que na altura era considerada um sacrilégio) para se orgulhar do Swiss Made face à avalanche de relógios de quartzo provenientes do Oriente. Apresentou a primeira coleção numa mesa desdobrável na edição de 1977 da feira de Basileia e vendeu 5.000 exemplares nesse primeiro ano; no ano seguinte, o número passou para os 40.000, e, em 1982, já ascendia aos 70.000. A par do sucesso inicial, duas notas merecem relevo: numa perspetiva lusa, Portugal foi dos primeiros países a abraçar mais convictamente a nova marca; num plano estratégico, cedo foi decidido desenvolver a imagem da marca à volta da música clássica.

Olivier Bernheim, cunhado do fundador, começou a trabalhar na Raymond Weilem 1982 e assumiu o cargo de CEO desde 1996, até que, no dealbar da presente década, começou a preparar os filhos Elie e Pierre para a sucessão. Elie assumiu as rédeas da companhia no início de 2014 e Pierre desenvolve outra marca no seio familiar (a 88 Rue du Rhône); só Noemia não está diretamente ligada à relojoaria, mas pelo menos já deu o seu nome a uma das coleções.

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