Segundos mortos: O efeito Lázaro

26/04/2016 Comentar

Não aparenta ter nenhuma utilidade prática, mas o seu funcionamento é fascinante. Os chamados «segundos mortos» antecederam o desenvolvimento do cronógrafo e são hoje uma complicação pouco comum, mas bastante apreciada.

Para os menos atentos ao mundo da relojoaria mecânica, a observação visual de um relógio de pulso com um ponteiro de segundos que salta, em vez de deslizar, para a posição seguinte é prova quanto baste para o relegar para o grupo da difamada classe de relógios cuja cadência é controlada pela vibração de um cristal de quartzo.

Mas se esse salto for acompanhado pelo secular tiquetaque, tão caraterístico da relojoaria mecânica, então teremos a certeza de que estamos perante um raro exemplar de um relógio mecânico com uma complicação conhecida como «segundos mortos». Uma designação, é certo, um tanto ou quanto mórbida para uma complicação relojoeira, mas que traduz na perfeição o efeito de repouso do ponteiro que resulta do seu funcionamento.

É que a esmagadora maioria dos relógios mecânicos sempre apresentou um ponteiro de segundos com um movimento aparentemente ‘deslizante’, que é nada menos que o resultado de cinco pequenos saltos, no caso de um balanço a oscilar a 18.000 alternâncias/hora (2,5 Hz), ou seis, no caso de oscilar a uma frequência de 21.600 alternâncias/hora (3,0 Hz).

No caso dos segundos mortos, é um mecanismo montado entre o órgão regulador e o ponteiro de segundos que impede a normal progressão deste último. Este mecanismo liberta o ponteiro dos segundos apenas depois de ter decorrido um segundo completo.

Desta forma, o ponteiro parece ‘morrer’ após cada segundo, apenas para ressuscitar com o intuito de completar o movimento seguinte, justificando assim a sua peculiar designação traduzida do inglês «dead seconds», mas que outros preferiram designar com nomes distintos em diferentes alturas. No final do século XVIII, Breguet chamou-lhe «secondes d’un coup» (segundos de uma só vez), enquanto alguns relojoeiros britânicos preferiram chamar-lhe «jumping seconds» (segundos saltantes).

Leia a reportagem completa, sobre a complicação designada segundos mortos, no site da Espiral do Tempo.