Le Mans e o King of Cool

21/06/2016 Comentar

Estreado há precisamente 45 anos, o filme Le Mans ficou para sempre ligado à história da relojoaria pelo facto de o ator principal usar um relógio inconfundível: o quadrilátero Heuer Monaco. E porque o ator principal era Steve McQueen, essa associação perdura até hoje. Em vésperas da mais famosa corrida do mundo, recordamos o filme e, sobretudo, um mítico cronógrafo a caminho de se tornar cinquentão mas sempre muito cool.

Uma corrida lendária (24 Horas de Le Mans), um ator mítico (Steve McQueen), um relógio histórico (TAG Heuer Monaco), um filme inesquecível (Le Mans). Um quarteto que personifica bem o cronógrafo quadrilátero desvelado ao mundo a 3 de março de 1969, com conferências de imprensa simultâneas na Suíça e nos Estados Unidos. O Monaco, assim batizado por Jack Heuer em honra do prestigiado Grande Prémio de Fórmula 1 do Principado e com cores evocativas da Côte d’Azur misturadas com detalhes racing, chocou logo de frente com os padrões estéticos conservadores da relojoaria da época – mas já antecipava claramente o look geométrico e colorido que se tornaria típico dos anos 70.

Dotado de uma caixa quadrada perfeitamente estanque com coroa do lado esquerdo e um mostrador azul metálico de onde sobressaíam totalizadores brancos contrastantes e apontamentos a vermelho, o Monaco foi recebido pelos presentes no Hotel Intercontinetal de Genebra e no PanAm Building em Nova Iorque com o entusiasmo apreensivo de quem não está habituado a roturas. Na altura, o ênfase foi sobretudo colocado sobre o mecanismo revolucionário que albergava – já que a sua forma quadrilátera pouco usual lhe destinou um sucesso relativo, remetendo-o mais para o lugar de objeto de culto entre aficionados de horizontes alargados e nada… ‘quadradões’. Os modelos Carrera e Autavia, lançados simultaneamente com o mesmo calibre cronográfico automático, foram recebidos de maneira bem mais consensual.

 

De facto, o Monaco até podia ser considerado ‘kitsch’ ou mesmo psicadélico – mas não há dúvida de que estabeleceu um marco na história da relojoaria: exibia então um dos dois primeiros mecanismos cronográficos automáticos (o Calibre 11 modular, vulgo ‘Chronomatic’, foi apresentado escassos dias após o ‘El Primero’) naquele que era considerado o primeiro relógio quadrado à prova de água. E depois o seu original perfil ficou imortalizado no filme Le Mans (1971) através do mítico Steve McQueen – um dos defuntos com mais carisma que se conhecem. Jo Siffert, o malogrado piloto que no início dos anos 70 era um dos protagonistas da Fórmula Um, utilizava o Monaco no pulso; McQueen, grande fanático do desporto motorizado, era um fã de Siffert, pelo que Michael Delaney (o personagem de McQueen) também usou o Monaco no filme. Por volta dos 24 minutos do filme realizado por Lee H. Katzin e maioritariamente filmado durante a edição de 1970 da prova, o tal Delaney segura no capacete e o relógio torna-se bem visível aos olhos do espectador…

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