Crónica: ser quadrado é fixe

22/08/2016 Comentar
DN_SerQuadrado

«Quadrado» (adjetivo popular figurado): pouco inteligente, sem agilidade de pensamento; limitado, pouco recetivo a inovações; obtuso; convencional, retrógrado; tradicionalista. Ironicamente, as pessoas que conheço que gostam de relógios quadrados — e, por extensão, relógios de forma — são exatamente o oposto dessa definição pejorativa. Não tinha Steve McQueen o cognome ‘King of Cool’?

 

Entre comentários para o Eurosport e numa das interrupções provocadas pela chuva na recente edição de Roland Garros, pus-me a ver o resumo do Grande Prémio do Mónaco — e, ao olhar para a minha reedição do Monaco da TAG Heuer no pulso, questionei-me sobre o que fará com que alguém escolha um relógio chamado ‘de forma’ em detrimento de um relógio redondo.

Por relógios ‘de forma’ definem-se todos aqueles que apresentam uma geometria não redonda — ou seja, os relógios em forma de barril, se seguirmos a tradução literal do francês «tonneau», ou em formato almofada, segundo a expressão anglicista «cushion»; os relógios quadrados; os relógios retangulares; os relógios ovais; e os relógios assimétricos. Mas os modelos redondos ou os que têm uma caixa de base geométrica mas com mostrador circular continuam a apresentar um domínio quase esmagador no mercado, com honrosas exceções de exemplares icónicos que se tornaram incontornáveis na história da relojoaria de pulso. Como o Reverso da Jaeger‑LeCoultre, o Santos da Cartier e o Monaco da TAG Heuer. Por enquanto, o Apple Watch ainda não integra o lote… e, não sendo mecânico, também não merece pertencer à mesma categoria.

Percebe-se a predominância dos relógios redondos ou de mostrador circular: a noção de circularidade do tempo existe desde os primórdios da humanidade, com o Sol a alternar com a Lua, os dias a sucederem-se às noites e as estações a revezarem-se perpetuamente, fomentando o mito do eterno retorno e a alegoria da serpente que engole a própria cauda. Tornou-se natural que, a partir do momento em que surgiram os primeiros relógios, a melhor e mais intuitiva maneira de apresentar o tempo fosse com o recurso a ponteiros em movimento cíclico a partir de um eixo. Essa noção permanece e, para a maioria, acaba por ser instintiva a opção por um modelo redondo enquanto primeiro relógio.

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