GPHG 2016: Liberdade, Igualdade, Fraternidade

28/11/2016 Comentar
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O mote da República Francesa pode servir bem para definir a 16.ª edição do Grand Prix d’Horlogerie de Genève  realizado não muito longe da fronteira com a França. Foi a relojoaria suíça que dominou, mas houve alguns intrusos e, sobretudo, viu-se mais uma vez os jovens independentes libertarem-se das suas restrições para se equipararem às históricas manufaturas. A Girard-Perregaux e a Piaget bisaram, mas as melhores histórias da noite tiveram a ver com a reaparição de Jack Heuer, a igualdade promovida por Max Büsser e a fraternidade dos irmãos Gronefeld.

Não é caso para dizer plus ça change, plus c’est la même chose — mas já se sabe que, na ponta final de cada ano, se sucedem um pouco por todo o lado as iniciativas que visam eleger os melhores exemplares da temporada relojoeira consoante categorias ou parâmetros pré-definidos. E, de todas as iniciativas, o Grand Prix d’Horlogerie de Genève assume clara preponderância — é considerado os ‘Óscares da Relojoaria’ não só pelo peso institucional que ganhou ao longo dos anos e pela exibição itinerante dos relógios pré-selecionados (e dos relógios vencedores, como está a acontecer esta semana na Dubai watch Week, onde nos encontramos).

A solenidade também é reforçada pela adesão das instâncias oficiais tanto cantonais como estatais — o peso torna-se ainda mais substancial. E o prestígio pode medir-se também pela presença dos protagonistas da indústria na cerimónia, que este ano se realizou no Théâtre du Léman, no Quai de Montblanc, devido às obras de beneficiação que o Grand Thèâtre de Genève, seu palco tradicional, está a atravessar.

O Grand Prix de Genève é a referência maior de todos os concursos anuais, embora não seja tão aberto como muitos outros de menor nomeada; é que o regulamento implica que as marcas inscrevam os relógios que desejem ver submetidos a escrutínio e várias manufaturas de relevo optam por não participar, pelo que se nota a falta de alguns modelos e marcas na short list que define os vencedores; não obstante, a cerimónia é incontornável e a Espiral do Tempo voltou a ser a única publicação portuguesa a marcar presença entre títulos especializados dos vários cantos do planeta — a par de dirigentes de marcas e representantes da classe política, porque a indústria relojoeira continua a ser um ex-líbris da Confederação Helvética.

Os relógios elegíveis a concurso tinham forçosamente de ter chegado ao mercado entre março de 2015 e novembro deste ano; houve várias etapas de seleção até o painel de 27 juris (nota: no meu tempo éramos 12 e para o ano vai haver um acréscimo de cinco elementos femininos e no seguinte mais cinco senhoras até se chegar à paridade!) determinarem os seis finalistas em cada uma das categorias regulares mais os galardões especiais, num total de 18 prémios a atribuir. A 10 de novembro, o humorista Frédéric Beigbeder, pela quarta vez consecutiva, e o ator Gaspard Proust, pela segunda consecutiva, assumiram o papel de mestres de cerimónias. Aqui vos deixamos a lista dos galardoados, com as devidas anotações pessoais.

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