Monsieur de Chanel: validação masculina

04/12/2016 Comentar
Monsieur de Chanel

Sentido de estilo, técnica apurada: com o Monsieur, a Chanel alcandorou-se num novo patamar — não só porque foi um dos mais elogiados relógios desvelados este ano em Baselworld, mas também porque personifica uma nova estratégia da maison parisiense no mercado relojoeiro.

A lendária Gabrielle ‘Coco’ Chanel nunca receou estar à frente do seu tempo. Construiu um império no mundo da moda que se mantém extremamente influente — e que, a partir do reflorescer da relojoaria mecânica na passagem do milénio, também passou a deixar a sua marca de maneira significativa no universo relojoeiro. O investimento mais sério no setor já tinha começado em 1987, com o Première, um modelo minimalista feminino que tem ganhado sólidas ramificações. Mas foi sobretudo com o emblemático J12 em cerâmica branca que a Chanel logrou fazer a diferença a partir de 2003.

Desde então, basta acompanhar atentamente as criações que a Chanel apresenta anualmente em Baselworld para constatar a extrema qualidade de cada um dos seus produtos, da alta-joalharia à alta-relojoaria, passando pelos exemplares de métiers d’art (as peças Mademoiselle Privé são autênticas obras-primas) e até pelos modelos regulares da coleção. Mas o Monsieur de Chanel surgiu de modo inesperado e impressionou de maneira global — não propriamente porque apresentou algo completamente novo, mas pela sua qualidade intrínseca e palpável, pela arquitetura estabelecida, pelas soluções de acabamentos, pela técnica apurada, pela masculinidade.

A Chanel apresentou o Monsieur de Chanel como o seu primeiro relógio exclusivamente para homem, embora, no seu catálogo, seja fácil encontrar relógios que são claramente adaptados a pulsos masculinos. Como o J12 Marine Diver ou o J12 Chromatic, embora possam ser considerados  variantes do J12 — o tal que revolucionou o mercado e que se impôs como um relógio verdadeiramente unissexo, quer na versão preta quer na branca. No âmbito da alta-relojoaria, convém também não olvidar (e houve muitos analistas a esquecerem-se) essa obra-prima complexa e onerosa que foi o J12 Rétrograde Mystérieuse Tourbillon, uma edição ultralimitada de 2010 que foi idealizada pelo mestre Giulio Papi para pulsos masculinos.

O Monsieur de Chanel não é tão limitado, mas é suficientemente exclusivo, com uma tiragem de apenas 300 peças (150 em ouro branco e 150 no chamado ouro bege, caraterístico da marca) e um preço à volta dos 35 mil euros. É verdade que não teve por base qualquer modelo unissexo e até pode ser usado num bom pulso feminino, devido aos seus 40 mm de diâmetro por 10 mm de espessura, mas é claramente um relógio masculino — sobretudo um relógio urbano, sofisticado, de look decididamente parisiense. Sabe-se que a Chanel é dona da G&F Châtelain (empresa produtora de braceletes e caixas para marcas de alta-relojoaria, especialista em cerâmica) e estende os seus tentáculos até duas companhias exclusivamente relojoeiras de excelente  reputação — com uma participação no capital da Bell & Ross, também sediada em Paris, e da Romain Gauthier, estabelecida nesse histórico berço da alta-relojoaria suíça que é a Vallée de Joux. Mas o Monsieur é um relógio muito Chanel, completamente concebido ‘em casa’ na manufatura que a marca estabeleceu em La Chaux-de-Fonds; desde todos os pormenores de design (que incluem uma fonte tipográfica específica), até aos planos do calibre, o espírito ‘Chaneliano’ é evidente.

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